Saiba quais são as vacinas em testes finais e descubra porque elas são necessárias e importantes na luta contra doenças que causaram milhares de mortes em todo o mundo.

Em uma conversa em 1978 entre uma camponesa e o médico-cientista Edward a ideia de “vacinas” surgiu. Isso porque, durante o surto da varíola – doença marcada por vômitos, febre e erupções na pele, o médico ficou intrigado ao ouvir relatos de que trabalhadores da zona rural não pegavam a doença. A camponesa disse que não podia ser infectada pela varíola porque já tinha contraído sua versão bovina (de menor impacto no corpo humano).

Jenner quis testar a teoria e injetou a varíola bovina em uma criança de 8 anos, que logo demostrou sintomas leves. Dois meses depois, quando a criança já estava curada, o médico-cientista injetou a doença novamente, só que agora na versão humana – a mais letal e, para seu espanto, a criança não manifestou nenhum efeito negativo, não teve reação alguma. Portanto, descobriu-se ali que ao expor uma pessoa à varíola bovina, de baixa gravidade, criava-se uma imunização ao tipo mais letal da doença.

A importância das vacinas

O ato de se vacinar evita a propagação em massa de doenças que podem levar à morte ou a sequelas graves, comprometendo a qualidade de vida das pessoas. As vacinas têm sido ferramentas poderosas contra doenças que mataram milhares de pessoas por anos como Sarampo, Meningite, Hepatite, entre outras. Em outras palavras, se vacinar é mais que um ato individual, é um ato coletivo.

Em 1978, as investigações de Jenner impulsionaram os processos que envolviam as vacinas. Dois anos depois a Marinha Britânica começou a fazer uso da vacinação e, em 1956, a OMS patrocinou um projeto para erradicação da varíola no mundo que resultou logo depois – em 1977 – no sumiço de uma doença em escala mundial. Um marco na história.

Diante disso, percebe-se que graças à vacinação, houve uma queda drástica nas doenças que costumavam matar milhares até a metade do século passado. Assim também, a expectativa de vida aumentou e algumas doenças que entes causavam medo em muitas pessoas, hoje mal se ouve falar.

Por que as pessoas estão se vacinando menos?

Movimentos anti vacinas têm ganhado força em todos os lugares. Provavelmente, devido à autonomia adquirida pelas pessoas com relação a prática não científica da medicina, baseada em fatos não comprovados, propagados pelas redes sociais.

Outro fator que pode ter ajudado na redução dos números de pessoas vacinadas hoje em dia é o “esquecimento”. Muitas delas nunca ouviram falar de pólio, rubéola e difteria e, por isso, não vão ao posto para se vacinar e/ou consideram essas doenças pouco importantes para o trabalho de se locomover e deixam o tratamento para depois.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas (SP), de 352 pessoas entrevistadas, 23% relataram hesitação e 7% recusa em imunizar os filhos. Entre as que demonstraram hesitação, a principal queixa foi preocupação com situações que envolviam dor, vermelhidão e inchaço.

É verdade que algumas vacinas podem causar reações como dor local, febre, entre outras, porém os benefícios da imunização compensam esses efeitos pequenos quando comparados aos riscos que a pessoa pode vir a ter por não se vacinar.

É importante saber que a produção de qualquer vacina passa por diversas fases. Além disso, elas passam por uma avaliação e precisam ser aprovadas por institutos muito rígidos e independentes. Não só isso, mesmo depois que uma vacina é licenciada, há um acompanhamento para monitor a segurança e eficácia do produto. No Brasil, a organização responsável pela validação da vacina é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Perguntas e respostas para combater Fake News

1. Vacinas causam autismo?

Não, vacinas não causam autismo. Inúmeros estudos de alta qualidade já comprovaram que essa história é uma mentira.

2. Se passarmos a ter uma melhor higienização e melhor saneamento as vacinas não serão necessárias?

Não. As vacinas são necessárias, assim como a higiene e o saneamento. Uma melhor higiene, lavagem das mãos e uso de água limpa ajudam a proteger as pessoas de doenças infecciosas. Entretanto, muitas dessas infecções podem se espalhar, não importa o quão limpos estamos.

3. Sabemos que as vacinas contêm reações prejudiciais para uma pessoa e que muitas dessas reações são desconhecidas. Então, pode se dizer que a vacinação cause morte?

A maioria das reações são geralmente pequenas e temporárias, como um braço dolorido ou uma febre. Eventos graves de saúde são raros. Sendo assim, é mais provável que uma pessoa adoeça gravemente por uma doença que a vacina poderia ter evitado do que pela própria vacina.

4. As doenças que as vacinas combatem estão quase erradicadas em meu país. Há razão para me vacinar?

Por mais que algumas doenças tenham se tornado raras em muitos países, os agentes infecciosos que as causam continuam a circular em algumas partes do mundo. É preciso se vacinar.

5. Doenças infantis evitáveis por vacinas são apenas tristes fatos da vida?

O fato de não vacinar as crianças faz com que elas fiquem vulneráveis e doenças como sarampo, caxumba e rubéola são graves e podem levar a complicações graves em crianças e adultos, incluindo pneumonia, cegueira, infecções de ouvido e, por fim, à morte. Todas essas doenças podem ser prevenidas com vacinas.

6. Aplicar mais de uma vacina ao mesmo tempo em uma criança pode aumentar o risco de eventos adversos prejudiciais, que podem sobrecarregar seu sistema imunológico?

Não. Evidências científicas mostram que aplicar várias vacinas ao mesmo tempo não causa aumento de eventos adversos sobre o sistema imunológico das crianças.

A principal vantagem de aplicar várias vacinas ao mesmo tempo é: menos visitas ao posto de saúde ou hospital, o que economiza tempo e dinheiro. Além disso, quando é possível ter uma vacinação combinada – como para sarampo, caxumba e rubéola – menos injeções são aplicadas.

As vacinas mais esperadas

Coronavírus

Definitivamente, a vacina contra o vírus que matou mais de 100 mil brasileiros e continua fazendo vítimas em todo o mundo é a mais esperada atualmente. Mais de 150 vacinas estão em desenvolvimento em todo o mundo. 6 estão na fase 3, ou seja, pós-confirmação da eficácia, já podem ser fabricadas e distribuídas, 4 estão sendo testadas no Brasil.

Mesmo com carência de informações e sendo pressionada pela OMS, a Rússia foi o primeiro país a registrar uma vacina contra o novo coronavírus. Por outro lado, no Brasil, as vacinas que mais se destacam e estão em andamento são as Oxford-AstraZeneca e Sinovac, da China. O país já tem garantido 220 milhões de doses contra o vírus, sendo 120 milhões da chinesa Sinovac, desenvolvida com o Instituto Butantan, e 100 milhões da Universidade de Oxford, que mantém parceria com a AstraZeneca. Ou seja, isso significa que se tudo der certo e os resultados forem positivos já em outubro, teremos, entre o fim deste ano e o começo de 2021, milhares de doses de imunizantes para combater a COVID-19.

HIV

Criar uma vacina para combater o vírus da AIDS tem sido uma luta árdua. Isso porque, o vírus é bastante inteligente: ele se esconde no sistema imunológico, dificultando sua erradicação e é altamente adaptável.

Um estudo iniciado em 2016 para desenvolver o que seria a primeira vacina contra o HIV foi interrompido agora no início de 2020. O experimento vinha sendo realizado na África do Sul pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (Niaid), entretanto, os resultados foram ineficazes contra o vírus.

A boa notícia é que esse não era o único estudo em andamento no mundo para criar um imunizante contra o vírus da aids. Há mais dois em andamento e os resultados iniciais são previstos para 2021.

DENGUE

Para diminuir o impacto do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti que mata mais de 20 mil pessoas por ano no mundo, muitas instituições públicas e privadas têm trabalho para desenvolver uma vacina. Afinal, trata-se de uma doença que assola países há anos. O que muitos não sabem é que já tem uma vacina e que ela já está sendo usada.

A vacina que imuniza contra os quatro vírus da dengue está liberada no Brasil desde 2015. Seu nome é Dengvaxia e as pessoas podem comprá-la em clínicas particulares e farmácias credenciadas.

Em conclusão, é importante ressaltar que essa vacina previne contra o vírus da dengue. Não garante imunização contra outras doenças que como Aedes aegypti, como o Zika vírus e a febre chikungunya, por exemplo.

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