Você tem dificuldade de decorar um simples nome, aniversário ou número de telefone e quer saber porque isso acontece? Esquecer se tornou algo mais frequente? A seguir, mostraremos como a memória humana está sendo afetada nos anos atuais e as consequência disso.

Entendendo o cérebro

Nossa capacidade de memória tem como base a fisiologia do cérebro, que é composto de aproximadamente 100 bilhões de neurônios e muitos cientistas acreditam que as nossas lembranças se formam nas conexões entre esses bilhões de neurônios.

“Tá, mas se eu tenho tantos neurônios, consequentemente eu tenho muitas conexões, então o certo seria eu ter muitas memórias, não é? “. Sem dúvida! O problema não é espaço, o problema é a velocidade.

O cérebro humano consegue se lembrar de 5 a 20 petabytes de informação. Para termos noção, 1,5 petabytes armazena 10 bilhões de fotos do Facebook e 20 petabytes equivalem a todos os textos da Biblioteca do Congresso dos EUA! O problema é que não conseguimos processar tudo que acontece com a gente. É como se tivéssemos baixando milhares de música ao mesmo tempo e algumas dão erros e não completam o download, mas são tantas que nem sentimos falta, até porque não “lembramos”.

A memória divide-se em 3 categorias:

Memória sensorial: ela acontece através da visão, audição, tato, olfato e paladar, ou seja, através dos sentidos. Todo o processo que leva à memorização da experiência é guardada no cérebro em menos de 2 segundos. Legal, né?

Memória de curta duração: age no momento em que uma informação está sendo adquirida, ela fica armazenada por um curto tempo até ser decidido se a informação merece ser guardada ou descartada, conforme o que consideramos importante ou não. Nesse processo, até 7 informações podem ser armazenadas durante 30 segundos.

Memória de longa duração: em resumo, tudo o que é armazenado de forma definitiva fica na memória de longo prazo. Primeiro namorado(a), música favorita, a perda de um ente querido, aquela viagem ao destino dos sonhos…

11 sinais para se preocupar com a memória


1. Você está sofrendo de estresse e/ou ansiedade?

Ambos os sintomas atrapalham a memória. Não diretamente, mas de forma significativa, em níveis muito altos, eles prejudicam o processamento de memórias de curta duração, fazendo com que as descartemos, sem nem mesmo considerá-las. Como resultado, temos com frequência os chamados “brancos”.

2. O quanto de açúcar você ingere diariamente?

Inúmeros são os problemas ocasionados pelo excesso de açúcar e disso já sabemos, certo? Mas você sabia que além de tudo, a substância prejudica a memória? Pois é, isso acontece principalmente após os 40 anos. Nessa idade, o corpo demora mais para metabolizar a glicose e isso prejudica uma das funções cerebrais responsável pela retenção de lembranças.

3. Quantas horas por dia você está dormindo?

É durante o sono que o cérebro seleciona o que importante e o que não é para guardar na memória. É nessa hora que ocorre a consolidação de memórias, um processo fundamental para aprendermos.

Passar a noite sem dormir prejudica nossa capacidade de atenção e isso resulta em má formação da memória de curto prazo. Por isso que muitas vezes, mesmo que passemos a noite estudando, não conseguimos ir bem em uma prova, por exemplo.

4. Quantas fotos você tirou na sua última viagem?

Primeiramente: fotos apagam a memória! A famosa onda de likes que trazem felicidade de forma instantânea também causa deterioração nas nossas lembranças.

Um estudo realizado por Cientistas da Universidade da Califórnia, reuniu 50 alunos em 3 grupos e mostraram a todos as mesmas imagens. O primeiro grupo fotografou as imagens com um smartphone, o segundo tirou fotos e apagou em poucos minutos e o terceiro grupo apenas ficou observando, sem a interferência de tecnologia.

Depois de um tempo, os cientistas pediram a todos os alunos que se lembrassem do que viram e relatassem em um exercício no papel, apenas aqueles que não tiraram fotos conseguiram fazer o dever de casa.

Acabou? Não, tem mais! Uma pesquisa de 2018 da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, comprovou que se o usuário opta por apps como Instagram e Snapchat para tirar fotos, a memória é ainda mais prejudicada, a justificativa é que distrações como filtros, efeitos, ou textos do aplicativo favorecem o problema.

5. Você tem depressão?

Neurocientistas alemães desenvolveram um algoritmo matemático capaz de calcular o efeito da depressão nas células cerebrais humanas. Uma pessoa que está depressiva ou em estado depressivo por muito tempo, faz com que a formação das células ativas (responsáveis por estimular a memória) ocorra de forma mais demorada, ou seja, em um ritmo mais lento. Como resultado, nossas memórias começam a ficar deformadas até serem perdidas.

6. Quanto tempo você passa conectado?

Segundo pesquisas, em média, cada pessoa no mundo passa seis horas e quarenta e dois minutos conectada à internet. No Brasil, os números são ainda mais alarmantes, passamos nove horas e vinte nove minutos todos os dias. Isso que dizer que, dos 365 dias do ano, em 145 deles nós ficamos conectados à internet!

Esse comportamento está mudando radicalmente a nossa capacidade cognitiva, reduzindo a massa cinzenta e as conexões entre os nossos neurônios, causando não só danos na memória, mas também na concentração e na sociabilidade.

Quer saber quantas horas você gasta navegando no mundo digital? Você consegue ver pelo app Bem-estar Digital, que calcula o tempo médio gasto por dia, quantas notificações você recebe e como você pode diminuir o uso do smartphone antes de dormir.

O aplicativo está disponível em alguns celulares, basta apenas ativá-lo. Se o seu celular for uma versão mais antiga, é possível baixar outros aplicativos semelhantes como o StayFree – Bem estar digital e tempo de tela.

Como melhorar a memória?

É importante exercitarmos constantemente a memória não só para aumentar a quantidade de informação que conseguimos memorizar como também para reduzir as chances de desenvolver doenças como o Alzheimer, por exemplo.

Dicas

1. Pratique exercícios físicos: isso melhora as células ativas e estimula a memória.

2. Pratique a ‘higiene da Internet’ : diminua o tempo de conexão e invista mais tempo em conteúdos que te farão bem.

3. Revisão! Se precisar memorizar algum conteúdo, revise-o! Essa prática é uma forte aliada contra o esquecimento.

4. Relaxe! Se você é do tipo que tem muitos brancos possivelmente é porque seus níveis de ansiedade e estresse estão altos. Faça algo que te acalme, respire fundo, ouça uma boa música, pratique Yoga, tudo vale!

5. Alimentação é importante: portanto, evite alimentos pesados, eles prejudicam na concentração e também não fornecem os nutrientes que ajudam a memória. Aposte em frutas e vegetais, além de saudáveis, eles te livram dos problemas causados por alimentos processados.

6. Durma! como foi dito, é o processo que mais ajuda na consolidação de informação na memória. Sendo assim, não subestime o poder de uma boa noite de sono, além de ajudar na retenção de lembranças e aprendizado, ainda deixa a pele bonita e promove o bom humor.

Por último e não menos importante, é fundamental lembrar que o esquecimento também é saudável dependendo do nível. De acordo com o pesquisador de neurociência cognitiva no IFCE (Instituto Federal do Ciência e Tecnologia do Ceará) – Cleanto Rego Fernandes:

“Se guardássemos tudo que vivemos na memória nossa mente seria tão caótica quanto nossa casa se não pudéssemos jogar nada fora. Precisamos esquecer coisas irrelevantes para privilegiar o registro e recordação das informações relevantes”.

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